Passado três dias de ter falado com os meus dois chefes, e entregue a carta de demissão aos RH, estava tranquila com a minha decisão e com o desenrolar das situações. Tomei uma decisão, e não dei margem a que me criassem dilemas. A minha decisão não ficou dependente se a minha empresa (que de ora em diante se denomina por MAS) acompanhasse ou não o valor que me tinham proposto noutro lado. Até que o meu chefe superior me chama na hora de almoço e diz-me literalmente isto: "Quero bararar-lhe as ideias". E após uma longa conversa, oferece-me uma plano com um percurso para alguns anos e um salário que excedeu as minhas melhores expectativas. Este era o momento que tentara evitar. Ainda por cima, e pior do que tudo, depois de já me ter comprometido com outra empresa. Fiquei diante de um grande dilema. Pareceu irrecusável. E foi.
Enquanto que até esse momento tentei arranjar todas as melhores justificações para sair e me aventurar no mercado, nesse momento foi o oposto. Só me surgia a ideia de que estava a ir para uma empresa mais pequena, funções mais restritas, que já tinha conquistado muita coisa na MAS, já tinha um espaço, autonomia, liberdade e responsabilidade, espaço para dar opinião, para criar iniciativas, para alterar mecanismos, criar novas ferramentas, tenho colegas com quem passo o dia a rir, chefias com quem tenho uma relação boa, e as instalações de trabalho são inegavelmente boas (apesar de andarmos sempre a reclamar de tudo e todos). Obviamente também houveram situações que correram menos bem nos meus três anos na empresa, sobretudo, considerando que foi o meu primeiro emprego, onde aprendi a trabalhar e, especificamente, onde aprendi tudo sobre a área. Ficar também assusta. Na minha cabeça, sair era ter coragem de tentar algo novo e isso agrada-me. Por outro lado, apercebi-me neste processo que ter a coragem de mudar, assumi-lo e realizá-lo foi o bastante para que a situação atual se alterasse para Mudar não me assusta. Estou habituada a mudar na minha vida. Ficar, isso sim, significa assumiro risco de quase que deitar fora os cinco anos que passei no ensino superior. Quase não. Comecei como estagiária e um dos requisitos prendeu-se com a Licenciatura em Economia que acabara de tirar. Still, os conhecimentos económicos pouco utilizados. Creio que se passa o mesmo com a maioria do pessoal que sai da Uni. Já todos ouvimos falar, o que se dá na Uni são ferramentas. Depois no mercado de trabalho a música é outra. O caminho vai-se construindo com as oportunidades que aparecem e nem sempre (ou quase nunca) estão interligadas com o curso. Ainda assim, os dois anos de mestrado (enquando já trabalhava), esses sim, são quase inutilizáveis. E isso dá-me uma certa pena. Mas bem, entrar na MAS com 21 anos foi uma grande sorte e um azar ao mesmo tempo. Aprendi, tive boas condições físicas de trabalho, fui bem recebida e acompanhada num universo de 70 pessoas, e há partida tenho possibilidade de evoluir. Por outro lado, foi azar porque me "retira" a possibilidade de conhecer outras empresas. E eu necessito de mudança, estou habituada a ela, aborreço-me com o habitual. Portanto, é para mim um risco ficar.