Mas quem não vive ao máximo também crasha portanto fuck it. We're all condemned.
As últimas semanas foram totalmente crazy e eu nem sequer estive de férias. Passei uma semana com o R. entre a minha casa e a mini-viagem que fizemos pelo norte. Voltei à realidade na quarta de manhã depois de dormirmos juntos perto do meu trabalho de forma a acordar e ir trabalhar e ele a ir para sul. Foi até ao máximo possível e que soube a pouco. Estive quarta, quinta e sexta ocupadíssima no trabalho com a cabeça a mil à hora e sexta saí mais cedo porque tinha o concerto dos Arctic Monkeys em Lisboa (how funny, Lisboa começa a tornar-se cada vez mais perto). Lá fui eu, sozinha, com uma pequena mochila e uma cama num hostel reservado à pressa. Cheguei, meio que perdida e a sentir-me da terrinha porque não encontrava o metro. Fui fazer o checkin e apesar de o hostel ser dos piores onde já fiquei, deu-me aquela energia e um sentimento mesmo fixe de me sentir jovem novamente. Fez-me recordar os hostels marados de Budapeste, Austria e Zagreb onde partilhei quartos velhos e sujos com homens mais velhos que me fizeram sempre pensar que estava a tomar más decisões na vida. Mas saí sempre bem, sem qualquer defeito a colocar (tirando o barulho típico dos hosteis que incomoda pa caraças mas também não se pode ir para ali esperar uma boa noite de sono). Estava a sentir-me mesmo fixe, apesar de estar a solo. Ir a solo tem sempre aquela vertente meio triste mas também tem a pica de estar a fazer algo que quero muito e que me faz voltar uns anos atrás. Portanto, curti. Entrei no recinto, dei uma vista de olhos e fui para a fila mais pequena comer uma sandes. Depois outra fila para a cerveja e depois sobrou-me menos de 30min para arranjar spot para ver o concerto. Não me meti muito na confusão mas se fosse agora teria ido. Tenho receio e faz-me impressão imaginar-me pressionada numa multidão (até porque só tenho metro e meio) mas gostaria de ter visto a banda mais de perto e ter sentido mais a energia. De qualquer forma, adorei claro e fiquei super feliz por terem tocado as músicas que mais gosto. Depois ainda tentei ir ver o concerto seguinte, de clubbing (ou lá o que é), até porque queria sentir que estava a aproveitar o dinheiro que gastei no bilhete. Mas esqueçam. Há que entender que não somos para tudo e eu não sou de clubbing. E metade daquela gente também não seria se não fossem as substâncias mas enfim. Fui para o hostel de autocarro e até adormeci rápido.
De manhã acordei (lol, já tinha acordado várias vezes com o barulho dos outros) com uma chamada do R. porque guess what? Daquelas oportunidades da vida, ficou sozinho e pudemos passar umas horas juntos antes de eu vir embora. Tínhamos estado juntos há três fuckin dias e pareceu imenso. Vê-lo, ao sair da porta do hostel, foi espetacular. Abraça-lo ainda melhor. Passamos umas boas quatro horas juntos e fizemos coisas incríveis que ficarão na minha memória para sempre.
Voltei e fui direta para o jantar de aniversário do meu irmão que a nível de energia foi um downgrade gigante. E além disso, a minha mãe estava com stresses então senti mesmo que voltei para a terra das tempestades. Fiquei com mais saudades do R. e a desejar estar a 300 kms de distância. Bebi vinho na expectativa que o tempo passasse mais depressa e fosse mais suportável.
No dia seguinte (ontem) acordei cedo e fui tomar o pequeno-almoço com as amigas ao Porto. Depois voltei para levar a minha mãe à estação pois ia para Lisboa. Depois, num impulso estúpido marquei café com um rapaz que andava a insistir para sairmos há dois anos (yup). Ele estava a tornar-se cada vez mais insistente e eu ficava curiosa com aquela conversa toda. Apesar do R. ocupar um espaço cada vez maior na minha cabeça (e coração) há aquela voz que me lembra que eu e o R. nunca poderemos ser mais do que isto, então tenho que divergir as minhas atenções. Foi o que tentei fazer naquela que secalhar agora é que vou conhecer uma pessoa interessante e disponível (mas sem pensar muito nisso). Foi só ir e ver. E que coisa feia que vi e vivi. Primeiro, o rapaz deixou-me à seca mais de uma hora sendo que até marcamos na terra dele (a 40kms de minha casa). Depois teve uma abordagem demasiado a pés juntos mas eu até que já estava à espera porque nas mensagens ele também era assim. Deixei-me levar pela onda a ver onde aquilo ia ter. Fomos comprar comida e viemos para minha casa e foi triste e uma grande chapada da vida (talvez para ambos). O rapaz por mensagem fazia e acontecia. Uma confiança daqui à lua numa dada performance. Chegou à cama e não conseguiu pôr-se de pé. Que espetáculo triste de se ver. Tentamos e tentamos e tentamos. Esforcei-me porque, enfim, assistir só era mau demais. Depois, muito mal amanhado, lá deu e nem um minuto aguentou. Absolutamente ridículo. Absolutamente triste. Disse que não conseguia fazer com preservativo e que veio ter comigo numa de tentar novamente mas concluiu dizendo que secalhar tinha mesmo que arranjar uma namorada para poder pinar sem proteção. *facepalm* Deslizei na cama com vergonha, só pensava no R. e veio uma vontade de chorar enorme. Só pensava naquela estupidez. Por um lado, o conforto que tenho na ideia de sexo ser só sexo mas por outro o problema de não o ter obtido e de só querer estar com uma pessoa. E depois a bola de neve a vir. E que essa pessoa secalhar é a minha pessoa. E que nunca a terei e na sorte de a ter encontrado e no azar de nunca ficar com ela. E a vontade de chorar só crescia. Só queria sair dali. Apressei-me a vestir e a ir levar o rapaz a casa (terceira vez a ir ao porto num dia). E o estúpido ainda queria tentar mais uma vez. Saímos, fui ao porto e mal ele fechou a porta do carro, eu desabei em lágrimas a sentir-me a pior merda de sempre. Chorei. Acordei com os olhos inchados. Vim trabalhar. Tenho uma semana exigente e que vai passar a correr. E ainda bem que assim é. Só desejo voltar a estar com o corpo colado no do R. e a sentir-me em casa.