(Forever) Teenage Dirtbag

yound adult na tarefa árdua de tentar ser alguma coisa de jeito.

Fui ao psicólogo #1

Andei os últimos meses a escrever as razões pelas quais secalhar poderia ir ao psicólogo. Não para tratar alguma perturbação em específico mas sim numa perspetiva de auto-conhecimento e de ter uma nova visão sobre alguns dos dilemas que empancam na minha cabeça. Claro que há dias e dias e é perfeitamente normal uma pessoa não se sentir a 100% sempre e isso, por si só, não é razão para ir ao psicólogo. Mas eu sinto que, ao longo deste último ano, tive uma proporção de dias maus cada vez maior e cada vez mais "maus" a nível de intensidade. Again, isto pode explicar-se apenas por uma oscilação hormonal devido ao período e estas oscilações afetam mais umas mulheres que outras e eu talvez tenha o azar de ser das que fica mesmo muito afetada. E isto, em primeiro instância, trata-se na especialidade que foi algo que a Psi também disse ontem. Para ir a consulta e ver o que me sugerem. Salientou que se a solução fosse à base de ansióliticos, eu pensasse bem antes de iniciar. Não era preciso ela dizer. Seja o que for que me recomendem, vou pensar mil e uma vezes porque não sou nada fã de comprimidos mas avançando. Foi a primeira vez que fui a uma consulta de psicologia. Em primeiro lugar, não gostei do espaço. Muito pequeno, frio e sem grande distância entre nós. Literalmente uma mesinha estreita e duas cadeias, uma de cada lado. E tivemos que usar máscara, o que também foi chato até porque é mais um elemento que cria distância, mas pronto entendo a necessidade. Começamos por ela tirar registo de algumas das minhas informações e de dizer que nos podíamos tratar por tu (o que por mim é ótimo). Depois fez um esquema sobre a minha família e com quem vivo e gostei desta parte porque me pareceu metodológica. Depois não apontou mais nada ao longo de toda a consulta o que me é estranho porque se fosse eu, iria de certeza esquecer-me de tudo o que ouvia. Se ela se vai esquecer... vamos ver na próxima. Depois a tal pergunta, o que te traz aqui? Eu tinha um papel com todas as razões mas não o li. Falei só. Navegamos nos principais temas com os quais me debati este ano: guerra, relações e mãe. No geral, não sinto que ela me tenha dito algo que eu ainda não tivesse pensado (até porque pensar é comigo) mas talvez isso se deva porque não atingimos grandes níveis de profundidade. Também foi só a primeira vez que falamos, provavelmente é preciso mais tempo. Mas efetivamente ali procuro "soluções" mais profundas porque eu acho que já fiz trabalhos enormes de reflexão. As respostas mais superficiais já as tenho quase todas. Mas adiante, sobre a guerra, logo que comecei a falar vierem-me logo as lágrimas aos olhos. Já passou tanto tempo, já chorei por tantas outras coisas, e mesmo assim não consigo pensar no assunto sem me emocionar. Neste assunto, ela disse-me que eu falava como se tivesse culpa. E no caminho para casa comecei a pensar nisso e em como era verdade que eu sentia culpa por algo que eu não tinha feito e isso é um erro. Eu posso sentir culpa por coisas que faça ou diga erradamente mas não tenho que sentir culpa por coisas que outros fizeram ou fazem. Bem, esta acho que foi uma nova conclusão a que cheguei e não foi ela que me disse diretamente mas deu o mote para. Depois falamos sobre relações e eu nem tinha intenção nenhuma de falar sobre isto já mas acabou por sair porque falei daquilo que teve impacto no meu ano e ali o término com o DC foi uma das coisas que me deitou mais abaixo. E ela repescou este assunto algumas vezes e referiu que parecia que eu tinha levantado um muro tipo mecanismo de defesa e que podíamos trabalhar essa parte efetiva. E vi-a um bocado entalada quando eu disse que não acreditava em relações duradouras, sobretudo nos moldes mais tradicionais. Ela disse que não podemos iniciar nada com essa ideia. Que é como se vivêssemos já a pensar que vamos morrer. Ora, mas é isso precisamente que acontece. Nós vivemos com a certeza absoluta que vamos morrer e nem sequer sabemos quando. E é essa finitude que até dá sentido à vida (remembering The Good Place). Nas relações deveria ser igual (e não é). Mas entendo a diferença entre estar numa relação com a expectativa e a intenção de ser para muito tempo ou de não ser. O acreditar ou desacreditar tem efeito nas nossas ações e no nosso esforço. Não sei bem onde me posiciono nestes dilemas. Acho que nem faz grande sentido racionalizar, porque ao fim ao cabo, se sinto que quero estar ali, estou e se sinto que já não quero, já não estou. Anyway, falamos sobre isso, sobre dependência emocional (e tenho tanto mais a dizer) e ela referiu auto-estima e como a felicidade é intrinsecamente nossa e os outros só adicionam. Eu sei, eu sei, mas como? E ela explicou mesmo bem a parte das relações em que como indivíduos estamos 100% bem e ocupamos 100% do espaço da nossa vida, depois abrimos espaço para outra pessoa e quando essa pessoa sai fica ali um espaço vazio que dói bastante e nem era suposto numa primeira instância. Também já sabia esta teoria. Interessa-me mais como estar melhor na prática. Em relação à mãe, exploramos menos. No final ela disse que não dependia só de mim mas podíamos trabalhar algumas ferramentas para evitar alguns problemas e discussões. Também falamos um pouco sobre a diferença entre se queremos algo por nós mesmos ou por instinto adquirido na sociedade, por exemplo ser mãe. Aqui ela disse que a resposta vem de dentro, que eu tenho que ir mesmo ao fundo e irei saber. Não sei o que isto significa nem como chegar lá mas pronto. Marcamos a próxima sessão para daqui a duas semanas e ela diz que já podemos trabalhar algumas ferramentas. Na realidade, não sei se gosto dela ou não, se há empatia ou não. Achei que em alguns momentos ela estava só a falar as cenas mais básicas o que para mim é um bocado perda de tempo. Gostava que houvesse mais método também e não só conversa. Mas também há que dar tempo ao processo, ter paciência e dar oportunidade de se criar a tal empatia. E também eu devo ter que partilhar logo tudo o que já pensei e tentei, de forma a não andarmos às voltas. Por isso, daqui a duas semanas lá estarei.

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