Depois de atingir um low point por causa do DC (a responsabilidade é minha mas ele foi o gatilho), dou por mim a pensar over and over again na fraude que eu sou. Não com culpa ou vergonha, simplesmente a constatar esse facto. Não que alguém tenha a ver com o que faço ou não faço da minha vida mas tendo a plena noção disso. Versões diferentes de mim vagueiam por aí, dependendo de quem se encontra à minha frente. Estive dois anos num on and off com o DC, coisa que praticamente ninguém da vida real conhece. Paralelamente o Lid fazia parte da minha vida em determinados instantes e este menos gente ainda sabe. E depois há o R. que nunca descolou e que só as minhas amigas sabem da existência. Uma pequena encruzilhada mas hey, sou rapariga solteira e não devo nada a ninguém. Acima de todos estou eu e as minhas necessidades. Depois há aqueles conceitos sociais adquiridos na educação e formação que sustentam as relações que conhecemos. E que eu contesto e não suporto. Não os sigo. Olho para trás para as minhas histórias e o que sinto é orgulho por serem minhas e por ter tido a oportunidade de as viver (e continuar a vivê-las). Mas também sei que ao olho dos outros seria uma fraude. Aliás, relembro bem ainda as palavras de um antigo amigo há praí dez anos trás (quando eu a o Lid nos tornamos friends with benefits, mas benefits muitos pequenos na altura), "inês, ter relações escondidas do público é ser vadia". Bem, aquilo na altura bateu-me um bocado forte porque vadia soa-me a palavra muito feia e enfim! Já na altura não concordei nada com ele porque para mim ter uma relação com alguém pode ter diversas naturezas e ser muito mais ou muito menos que namorados. Hoje volto ao mesmo pensamento. Há uns meses atrás coloquei as fichas todas em cima da mesa com o DC, queria voltar a ser a namorada dele (claro que estava com as emoções todas desequilibradas mas olhem... acontece). Depois fui passar uma semana com o R. e foi espetacular. Depois voltei e estava tão acesa que tentei a minha sorte com o Lid e a resposta foi positiva e foi maravilhoso (e que sorte porque ele vai mudar a vida toda dele e nem sei se o volto a ver e ele não tinha estado com mais ninguém, e deu-me imensos elogios e foi espetacular estar naquele quarto à luz das velas com as sombras, a silhueta dele a fumar na varanda e eu deitada na cama a falarmos sobre como há dez anos atrás eramos miúdos e agora vivemos coisas tão espetaculares porque é simplesmente bom e depois também disse que a nossa conexão é tipo safe spot porque com pessoas novas ele apaixona-se facilmente e comigo não e ele não quer só sex, quer aqueles mimos todos e eu dou isso sem o risco da paixão; e eu sentir-me simplesmente bem com isso e querer exatamente o mesmo). Depois o DC mandou mensagem (ainda há de voltar a ser ele a pedir-me para voltarmos!) para falarmos e estarmos juntos "porque já não acontece há muito tempo" (ahahahha saudades? - e isto depois de passar uma semana no algarve com "a malta"). Depois, tenho tido imensas saudades do R. e portanto devo ir ter com ele daqui a uma semana. A única cena que me intriga é o porquê de a minha vida ficar sempre presa em personagens "antigas" e não entrar alguém novo. Mas pronto, também não se pode pedir tudo e entendo que terei muito tempo para que alguém apareça e talvez quando aparecer eu tenha mesmo e queira abandonar esta vida. Até lá, fico plenamente feliz por voltar a este mental state de liberdade e descomprometimento. E fraude porque passo os dias a ouvir a minha colega Luísa (que tem quarenta e é virgem) a contar que está a conhecer um indivíduo com quem já trocou dois beijos na boca (!!) em quatro ou cinco dates que já tiveram (!!). E portanto é impossível partilhar seja o que for da minha vida com esta pessoa que não a escandalize (já fica escandalizada por eu ir sozinha para aqui e acolá). E depois tenho que me lembrar que a J. só sabe de partes do DC, assim como o meu irmão. A minha mãe sabe do DC e do Lid mas não sonha do R. As minhas amigas sabem de praticamente tudo. O DC sabe que o Lid existiu quando estávamos separados e que possivelmente há um R. porque não consegui disfarçar bem quando falámos sobre a minha viagem (também não fiz muita questão, verdade seja dita). O R. sabe do DC e do Lid. O Lid sabe muito por alto do DC e do R. Nestas dinâmicas o único com o qual devo ter cuidado é mesmo o DC. E na empresa sou uma menina solteira há três anos, tímida, pouco arranjada até e que talvez vá ficar para tia com dezenas de gatos. Mas enfim, entre tantas ginásticas que fazem parte da vida, a ginástica mental é só mais uma.